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Reintrodução da águia-pesqueira em Portugal: Duas crias nascem no Alqueva

Segunda-Feira 20, Junho 2016
Portugal
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CIBIO- InBIO e EDP renovam parceria e dão continuidade ao projeto



Cinco anos passados desde o início do Projeto de Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal, desenvolvido pelo CIBIO-InBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos e financiado pela EDP surge a confirmação que aves libertadas no contexto desta relevante iniciativa de conservação estão a reproduzir-se com sucesso em Alqueva.



Entre 2011 e 2015 o projeto de reintrodução transferiu 56 juvenis da Suécia e Finlândia para a albufeira de Alqueva, onde 47 dispersaram com êxito após o período de aclimatação. Os indivíduos foram marcados com anilhas de cor para permitir detectar o seu regresso como potenciais reprodutores. O regresso do primeiro adulto só foi observado em 2014, mas em 2015 já se fizeram quatro observações de aves anilhadas na região de Alqueva e no sul de Espanha. 



Datam também de 2015 as primeiras nidificações em Portugal: uma na albufeira de Alqueva e outra na Costa Vicentina, a área onde em 2002 se extinguiu a população nativa. Nos dois casos, a reprodução teve sucesso, com 2 juvenis a voar na costa e 1 no Alqueva, sendo as primeiras reproduções com êxito em Portugal desde 1996. 





Águia criada no Alqueva escolheu o mesmo território para nidificar




Esta primavera, a águia-pesqueira ou guincho, como foi popularmente conhecida em Portugal durante séculos, volta a reproduzir-se em Alqueva, tendo aí nascido duas crias há poucos dias. O macho do casal foi transferido da Finlândia para Portugal e libertado em Alqueva em 2012, enquanto a fêmea é proveniente de um projeto de reintrodução na Andaluzia, onde foi libertada em 2012, após ser transferida da Alemanha. 



Foram recentemente observados outros 4 indivíduos provenientes do projeto português: dois na albufeira de Alqueva, cuja identidade ainda se desconhece por não ter sido possível ler as anilhas, e dois machos em barragens da Andaluzia, libertados em Alqueva em 2012 e 2014, o primeiro já observado em Cádiz em 2015.

 



EDP renova financiamento ao projeto



O projeto entra agora numa nova fase, com a recente renovação da parceria entre o CIBIO-InBIO e a EDP. O melhoramento do habitat, viabilizado pelos três anos adicionais de financiamento, permitirá atrair quer as aves libertadas em Portugal, quer as provenientes da reintrodução em Espanha (Andaluzia e País Basco), ou ainda as que se encontram em trânsito migratório por Portugal. Os investigadores procurarão também assegurar uma monitorização eficaz dos retornos, nidificações e reproduções, assim como uma ampla divulgação e sensibilização pública.



Segundo Luís Palma, do CIBIO-InBIO, coordenador técnico-científico do projeto “a renovação da parceria é fundamental para garantir o sucesso do projeto, permitindo tornar mais rápida a instalação de novos casais reprodutores e desta forma a expansão da nova população”, através da instalação de plataformas artificiais de nidificação em áreas criteriosamente selecionadas.



“Zonas com grande abundância de alimento e muito procuradas pela espécie, tais como estuários e lagunas costeiras, rios caudalosos e uma boa parte das barragens do sul do país, constituem zonas potenciais de atuação do projeto”, explica Pedro Beja, investigador do CIBIO-InBIO e coordenador geral do projeto.



“A reintrodução da águia pesqueira permite-nos demonstrar a nossa convicção de que é possível compatibilizar desenvolvimento com a preservação e até recuperação da biodiversidade”, sublinha António Neves de Carvalho, diretor de Sustentabilidade da EDP. O projeto contempla uma forte componente de sensibilização ambiental e de desenvolvimento de conhecimento científico, duas condições essenciais para que garantir essa compatibilização de valores, económicos e ambientais, sublinha ainda o gestor.



O êxito do projeto resulta de diversas parcerias e apoios, destacando-se as dos investigadores e entidades dos dois países dadores de juvenis: Suécia e Finlândia. A nível nacional, foram também determinantes, entre vários outros, a EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva),  a Fundação da Casa de Bragança, a ex-SAIP (Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações),  o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas) e a Universidade de Évora.