Projeto pioneiro de solar fotovoltaico flutuante supera expetativas

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Projeto pioneiro de solar fotovoltaico flutuante supera expetativas

Segunda-feira 04, Dezembro 2017
Geração de eletricidade

Primeiro ano de testes demonstra que a plataforma instalada na albufeira do Alto Rabagão é mais eficiente do que as soluções em terra.

A Central Solar Fotovoltaica Flutuante que a EDP instalou na albufeira do Alto Rabagão, em Montalegre, concluiu a 30 de novembro um ano de demonstração e os resultados superaram as expetativas. Esta tecnologia, pioneira a nível europeu, revelou uma eficiência maior do que as soluções em terra.

Beneficiando de um ano bastante favorável no que respeita à radiação solar, a plataforma gerou uma produção líquida 5% acima do previsto, o que representa um acréscimo de 15MWh. Com 840 painéis solares que ocupam uma área de 2500 m2, a central tem uma potência instalada de aproximadamente 220kWp e uma produção anual estimada de cerca de 300 MWh.

Além de a produção ter ultrapassado as previsões iniciais, foi possível constatar que estas plataformas são mais eficientes do que as instalações convencionais em terra.

A Central Solar Fotovoltaica Flutuante foi ainda capaz de suportar um inverno rigoroso em 2016, com ondulação de cerca de um metro, temperaturas muito baixas e ocorrência de neve.

A albufeira do Alto Rabagão foi escolhida porque tem espaço e condições climatéricas adversas que permitiram testar a tecnologia em condições extremas. Tem ainda um vale profundo com solo rochoso e significativas variações de cotas, o que permitiu testar as soluções de amarração, tendo estas igualmente mostrado um desempenho positivo na descida do nível da albufeira.

Esta tecnologia tem também inúmeras vantagens ambientais relacionadas com a proteção da radiação solar no meio subaquático, com menor proliferação de algas e a redução do consequente efeito eutrofizante, com diminuição de emissões de gases de efeito estufa. Ainda existe um caminho a percorrer para aproximar esta solução dos custos das opções convencionais em terra. No entanto, já estão a ser estudadas soluções otimizadas que permitirão reduzir esse diferencial num prazo não muito distante.

Este projeto piloto é mais uma prova da aposta contínua da EDP em inovação, destacando-se ainda pelo pioneirismo. A Central Solar Fotovoltaica Flutuante é a primeira na Europa a testar a complementaridade entre a energia solar e a hídrica, estando a superar os nossos objetivos e a demonstrar o potencial técnico destas soluções”, afirma Rui Teixeira, administrador da EDP.

A conversão de energia solar em eletricidade por via da tecnologia fotovoltaica tem vindo a evoluir de forma acelerada no sentido de menores custos e de melhor eficiência. Por outro lado, o escoamento para a rede elétrica da energia produzida em centrais fotovoltaicas exige condições técnicas de ligação nem sempre acessíveis sem dispendiosos custos adicionais de investimento.

Acontece que as centrais hidroelétricas, localizadas na vizinhança das albufeiras, dispõem de uma ligação à rede elétrica que está necessariamente subutilizada já que a sazonalidade das afluências pluviais não permite a ocupação continuada da potência instalada. E verifica-se uma complementaridade natural e virtuosa entre as energias hidroelétrica e solar: há mais sol quando há menos chuva e vice-versa. 

Foi neste contexto que o grupo reconheceu o potencial da complementaridade solar e hídrica e decidiu, por isso, investir 450.000 euros em 2016 para avançar com a instalação desta unidade piloto. Volvido este primeiro ano de demonstração, a EDP continua a desenvolver estudos técnico-económicos para avaliar a viabilidade de expansão para uma central de maiores dimensões, em Portugal ou no estrangeiro.

O investimento nesta central e em futuros projetos desta tipologia acompanha a forte aposta que a EDP tem feito em inovação nas energias renováveis nos últimos anos. Esta estratégia, que se enquadrada também nos compromissos de sustentabilidade assumidos pelo grupo, tem-se materializado na concretização de projetos relevantes e pioneiros, como é o caso das plataformas eólicas offshore. Neste momento, 73% dos 25,9GW de capacidade instalada do grupo já provêm de fontes renováveis instaladas em 12 países.